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6º dia - VITÓRIA – LA PUEBLA DE ARGANZÓN - 21 quilômetros


6º dia - VITÓRIA – LA PUEBLA DE ARGANZÓN - 21 quilômetros

No Caminho, faça de qualquer pequena reunião, um momento especial, pois serão essas vivências que ficarão gravadas para sempre em seu coração.




A jornada seria de pequena extensão, assim não havia pressa, de forma que parti tranquilamente às 7 h, assim que a intempérie amainou, pois chovera a noite toda.

Debaixo de uma fina garoa e por calçadas molhadas fui, lentamente, deixando a cidade e observando atentamente os locais por onde transitava.

Assim, sequencialmente, passei diante do afamado restaurante El Portalón, uma antiga casa de postas do século XV, e da casa de armas de Gobeo-Guevara, do século XVI, atualmente, Museu de Arqueologia e futuro centro de divulgação da pelota vasca.

Deixei a cidade por um largo e agradável passeio de pedestres, que passa junto ao Parlamento Vasco, Museu de La Armeria, Ajuria Enea, Museu de Belas Artes, Zona Esportiva de Mendizorrotza, Estátua de São Prudencio, Basílica Românica de Armentia (século XII), etc..

Depois, pelo acostamento de uma rodovia passei por Gometxa, mas logo passei a caminhar em terra, numa estrada integralmente plana, que me levou a Subijana de Álava, onde fiz uma pausa para descanso e hidratação.

Na pequena vila, observei bares e comércio em geral, mas eu estava bem fornido.

A garoa finalmente parou, mas encontrei estradas lisas e enlameadas, enquanto o clima persistia frio e ventoso.

Prosseguindo, enfrentei duro ascenso em direção ao “Portillo de San Miguel", de onde se descortinava uma detalhada visão do novo centro penitenciário de Nanclares de Oca.

O piso em terra escorregadio e molhado foi um entrave para superar a difícil mas curta aclividade.

A descida pelo lado oposto também exigiu extremo cuidado e equilíbrio, pois um tombo sempre esteve em iminência, face ao barro e as pedras soltas que encontrei nesse trecho.

Já no plano, prossegui caminhando entre imensos trigais, observando os pássaros que cruzavam os ares e ouvindo o assovio do vento.

Então, adentrei ao Enclave de Treviño, território pertencente a província de Burgos, porém, situado na de Álava e formado, principalmente, pelos municípios de Condado de Treviño e La Puebla de Arganzón, para onde eu me dirigia.

Na sequência, depois de passar pela pequena aldeia de Villanueva de Oca, segui sobre piso asfáltico até La Puebla de Arganzón, minha meta para aquele dia.

E, sem mais delongas, me hospedei no Hostal Palácios, onde havia feito reserva, pois estava com os pés úmidos e a roupa toda embarreada.

Algumas fotos do percurso desse dia:


Deixando Vitoria debaixo de chuva. À frente, estátua de San Prudêncio.


Largas avenidas conduzem o peregrino para fora da cidade.


Novamente, entre imensos trigais.


Dia chuvoso, piso molhado..


Sozinho na trilha, hora de comemorar...


Marcação diferente nesse trecho.


Paisagens soberbas e locais ermos. Tudo o que eu gosto!


Em ascenso, por trilhos lisos e embarreados.


Em forte descenso, pelo lado oposto do morro.


Caminho plano, já quase no final da jornada.

A cidade surgiu como refundação do antigo núcleo de Arganzón, que aparece citado já no ano 871, quando um tal Arroncio diz descender de povoadores vindos da zona de León.

Grande parte de seu traçado medieval, em forma de um barco, que se estira de norte a sul, sobrevive até os dias de hoje.


Uma das ruas centrais da cidade, localizada em seu "casco viejo".

Essa vila foi declarada Bem de Interesse Cultural, na categoria “Monumento”, em 1991, e “Conjunto Histórico”, em 2007.


A porta de sua igreja matriz, século XV.

O povoado foi uma vila amuralhada e seu casario até hoje em dia é, praticamente, inscrito dentro dos antigos muros.


O sisudo povoado, visto desde a ponte romana.

O Castelo de Arganzón está situado a 4 quilômetros da vila, protegendo a passagem das “Conchas”; foi habitado entre os séculos IX e XIV, porém, atualmente, só é visível uma torre e os restos do fosso.

População atual: 530 almas.


Ponte romana, do século XIII, edificada sobre o rio Zadorra.

Na cidade fiquei hospedado no Hostal Palácios, de excelente qualidade, onde fui muito bem tratado por seus proprietários.

O almoço foi feito nas dependências do próprio restaurante do hostal, onde degustei um “menú del dia” estupendo, por 11 Euros.


IMPRESSÃO PESSOAL: Deixei a formosa cidade de Vitória por belíssimas e floridas avenidas. Logo, a partir de Gometxa, avancei em direção à uma serra, num percurso bonito e solitário. Após deixar Sujijana, ascendi ao Portillo de San Miguel, um aclive progressivo, com 200 metros de desnível. O descenso foi ríspido e pedregoso, um perigo para joelhos e tornozelos. Por sinal, nessa serra eu adentrei ao Enclave de Treviño, um território pertencente a província de Burgos, que se encontra, integralmente, no interior da província de Álava. La Puebla de Arganzón é um povoado tranquilo, silencioso e a localidade mais importante desse enclave.

No global, um trajeto curto, ermo e pleno de belas paisagens, embora seja necessário superar ao Portillo de San Miguel, que encontrei pleno de poças de lama e pequenos riachos correndo pela trilha. Ainda assim, foi um dos percursos mais fáceis e agradáveis que venci no Caminho Vasco.

7º dia – LA PUEBLA DE ARGANZÓN – HARO - 33 quilômetros