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7º dia – LA PUEBLA DE ARGANZÓN – HARO - 33 quilômetros


7º dia – LA PUEBLA DE ARGANZÓN – HARO - 33 quilômetros

O Caminho, nunca se esqueça, é cheio de surpresas!




Os primeiros 4 quilômetros, até chegar em Burgueta, foi sobre a rodovia N-1, praticamente, sem tráfego, visto que ele foi absorvido pela autopista que passa próximo.

Burguetta é um povoado muito bem cuidado, com belas casas residenciais.

Mais adiante, deixei o Enclave de Treviño e, já em Álava, depois de pronunciado descenso, cheguei em Estavillo, e continuei por alguns quilômetros em ondulantes pistas florestais que me levaram a Berantevilla, porém o caminho não entra nesse povoado, passa ao largo.

Depois, por um caminho que vai se elevando suavemente entre campos de agricultura, cheguei em Zambrana, onde fiz uma pausa para descanso e hidratação.

Até ali eu já havia percorrido 15 quilômetros e, surpreendentemente, quando me preparava para reiniciar meu trajeto, um senhor portando um cajado saiu de uma casa e veio em minha direção.

Perguntou se eu estava seguindo em direção a Haro e quando lhe confirmei minhas intenções, perguntou se podia me acompanhar, pois estava indo a pé, almoçar com um amigo naquela cidade.

Seguimos juntos em alegre conversa e mais alguns quilômetros percorridos em agradável cadência, passamos por Salinillas de Buradón, um povoado medieval amuralhado, construído em uma planície, ao lado do rio Ebro, que serviu de defesa contra os muçulmanos.

Curiosamente, ele pertenceu algumas vezes a Castilla e outras a Navarra, conforme se modificavam as fronteiras, após as guerras.

Atualmente, ele é o último povoado de Álava, no limite com a província de La Rioja.

Na sequência, enfrentamos praticamente o único obstáculo da jornada, que foi o ascenso em direção ao “Portillo de Lobera".

O aclive é intenso, porém feito sobre um bem assentado caminho de terra vermelha, ainda úmido pelas chuvas recentes.

Do alto descortinava-se uma vista maravilhosa da planura riojana, com os vinhedos a perder de vista.

A próxima povoação é Briñas e a seguinte Haro e, entre ambas, o rio Ebro.

A partir desse ponto, foi um prazer caminhar junto ao Ebro, até uma grande ponte gótica de 150 m de extensão, prelúdio da chegada a Haro.

Então, avançamos entre algumas das mais importantes bodegas de La Rioja, até chegar a Plaza Mayor da cidade, onde nos despedimos, brindando com uma taça de vinho, num bar central da cidade.

Quero deixar consignado aqui ao Sr. Juan Antônio Navalpetre, o meu apreço, a minha admiração e a imensa alegria pela sua companhia durante toda a segunda metade dessa etapa.

Foram momentos estupendos, do qual não me esquecerei, pois, plenos de informações, troca de experiências e muitas risadas.

E, conforme lhe prometi, quando da chegada à Catedral de Santiago, orei em seu nome no abraço ao Santo Apóstolo.

Algumas fotos do percurso desse dia:



Novamente, caminhos retilíneos, a perder de vista.


Solidão total, entre muito verde...


Longo descenso, a perder de vista..


O sol finalmente apareceu...


Trilha gramada, meus pés agradeceram...


Descenso forte em direção à cidade de Zambrana.


Caminhos planos e arejados..


Vista da igreja e cidade de Salinillas de Buradón.


Meu companheiro de caminhada segue na frente, ao telefone...


No topo do morro, vista de Haro, ao longe.


Estamos na Rioja! Vinhedos à vista!


Ponte Romana sobre o rio Ebro.


Com Juan Antônio, meu companheiro de viagem, brindando num bar de Haro. Saudades, meu caro amigo...!

Haro é conhecida como a terra de vinhos, bodegas e hortas.

De seu patrimônio histórico se destaca a Basílica de Nossa Senhora de Haro, de estilo barroco.


Praça central da cidade, no momento, em intensas reformas.

Mas, há ainda o Palácio dos Condes de Haro, também em estilo barroco, e o Palácio de Beldana, exemplo da arquitetura espanhola, do século XVI.

La Rioja, na Espanha, é uma região conhecida mundialmente por seus vinhos e pela Batalha do Vinho que acontece anualmente, em 29 de junho, na cidade de Haro, sub capital de La Rioja. 


A imponente Catedral de Haro.

A última edição desse evento contou com 7 mil participantes e 75 mil litros de vinho tinto foram utilizados.

A tradição começou no século XIX, com uma festa para homenagear San Felices, último patrono da cidade. 


O belíssimo interior e o altar-mór da Catedral de Haro.

Na época, os romeiros jogavam vinho em quem estivesse visitando Haro pela primeira vez, como uma forma de batismo.


Coleção de vinhos canônicos. Um deles é do Brasil.

Desde 1949, o gosto por jogar vinho no corpo se tornou uma prática de turistas, curiosos e amantes do vinho, que vão à festa vestindo uma roupa branca e lenço vermelho. 


As bodegas fazem parte da história e tradição da cidade.

População: 11.324 habitantes


Um dos inúmeros monumentos existentes nas ruas da cidade.

Na cidade fiquei hospedado no Hostal Aragón, de qualidade razoável, mas bastante cêntrico, o que facilitou meu trânsito pela urbe.

O almoço foi feito num dos vários restaurantes existentes no “casco viejo” de Haro, onde degustei o “menú del dia”, por salgados 15 Euros, já que não encontrei opção mais barata.


IMPRESSÃO PESSOAL: Depois de caminhar 5 quilômetros, encontrei a grande bifurcação do Caminho Vasco do Interior. Seguindo reto, como eu fiz, sairia em Santo Domingo, em duas jornadas; mas se seguisse a direita, iria ter em Burgos, depois de mais 5 etapas. O trajeto desse dia foi extenso e duro, não só pela distância, mas pelas várias serras a serem sobrepujadas, sendo a mais importante, aquela que abriga o “Portillo de la Lobera”, com 190 m de desnível, a ser vencido em 2 quilômetros, desde Salinillas, e com um fortíssimo e pedregoso descenso em seus primeiros metros. Curiosamente, hoje me reencontrei com o Ebro, de gratas lembranças, o rio mais caudaloso da Espanha, e a jornada se encerrou em Haro, uma das capitais do vinho com a denominação “de Origem Rioja”.

No global, o clima fresco auxiliou bastante meu deslocamento. Depois, o encontro e a companhia do Sr. Juan Antônio no trecho final se traduziram em momentos de descontração e francos risos, o que me auxiliou a superar facilmente os quilômetros derradeiros. Haro me impressionou favoravelmente por sua beleza e pelo tamanho das instalações de suas famosas bodegas.

 8º dia – HARO a SANTO DOMINGO DE LA CALZADA – 22 quilômetros