Home‎ > ‎Caminho Vasco Interior‎ > ‎

MINHA VIAGEM


A VIAGEM

O Caminho de Santiago foi durante séculos um caminho de conversão e extraordinário testemunho de fé. (João Paulo II, aos jovens, em 1989)


"Marco Zero" do Caminho Vasco Interior, em Irún (País Vasco).

Minha aventura começou numa segunda-feira à tarde, quando embarquei em São Paulo, rumo à Espanha.

No dia seguinte, após breve translado pelo aeroporto de Madri, desembarquei em San Sebastián, capital da Província de Guipúzcoa, pertencente ao País Basco, cuja capital é Vitória.

Rapidamente, tomei um táxi, que me conduziu até a cidade de Irún, mais especificamente, diante da Pensão Bidasoa, onde eu havia feito reserva.

Ali despendi 30 Euros por um excelente quarto individual, limpo e espaçoso.

Na sequência, depois acomodar minha parca “bagagem” no local de pernoite, segui em direção à “Puente Santiago” que transpõe o rio Bidasoa, e serve de marco divisor entre Espanha e França.

Naquele local se situa o “marco zero” do Caminho do Norte, bem como do Caminho Vasco Interior, que eu iniciaria na manhã sequente.


A primeira flecha amarela do Caminho Vasco Interior.

Assim, para registrar tão importante evento, fiz fotos e caminhei ao longo da margem do rio, observando e desfrutando, intensamente, o maravilhoso entorno, já que o local apresenta espetacular estrutura, com bancos, fonte, flores, passarelas, bosques, etc...

Satisfeito, retornei calmamente ao local de hospedagem e, logo em seguida, em decorrência ao adiantado da hora, saí para almoçar.

Para tanto, utilizei os serviços de um dos inúmeros restaurantes existentes no centro de Irún, onde despendi 10 Euros por um apetitoso “menú del dia.”

Então, face à discrepância do fuso horário europeu em relação ao Brasil, eu já sentia seus efeitos me atazanando, assim, deitei-me para descansar.


Albergue de Peregrinos de Irún.

A origem de Irún remonta à época pré-romana, porém sua fundação oficial aparece mencionada nos registros como no ano de 1.203.

Sua condição de fronteira e passagem obrigatória dos viajantes, lhe proporcionou importância e crescimento, sobretudo, por abrigar uma importante estação ferroviária internacional, além de estar localizada em uma das únicas passagens “transpirenaicas” de transporte por trem.

Atualmente, com 65 mil habitantes, aparenta ser uma cidade bem maior do que realmente é, em razão de seu aspecto e dimensão orográfica,

Acresça-se que sua zona histórica não é apenas uma, ou seja, os restos desta estão repartidos por toda a urbe, devido ao incêndio provocado em 1936, que destruiu a maior parte desse povoado, e deu origem à sua reconstrução.


Com o Sr. Delfin, o hospitaleiro do Albergue de Irún.

Mais tarde, numa praça movimentada, tomei informações com transeuntes, depois prossegui até o Albergue de Peregrinos local, onde mantive uma proveitosa conversa com o hospitaleiro Delfin, o qual me deu valiosos conselhos, carimbou minha credencial e mostrou as instalações ali existentes.

No local travei contato com 8 peregrinos, sendo dois espanhóis e que, tal como eu, iniciariam o Caminho no dia seguinte, porém todos percorreriam o Caminho do Norte.

Pelo Caminho Vasco Interior, eu seguiria sozinho, pois há vários dias, segundo me informou o hospitaleiro, ninguém intentara sua peregrinação por esse roteiro.

Na sequência, para matar minha curiosidade, caminhei mais dois quilômetros até a fronteira, atravessei a “Puente Internacional” e coloquei meus pés em solo francês.


Atravessando a ponte sobre o rio Bidasoa, para pisar em solo francês.

Com cerca de 14.000 habitantes, Hendaye em francês ou Hendaya em Espanhol, a cidade onde me encontrava pertence a província de Guipuzcoa, País Vasco.

Trata-se de uma urbe secular, que até 1.654 era apenas um pequeno bairro de Urrugne, sendo uma das paróquias mais antigas do Labourd, território da França.

Desde o século XVI, as cidades de Hendaye e Irun estiveram em constantes guerras, principalmente devido aos tratados de pesca, às questões referentes ao rio de fronteira, etc.

A tal ponto que, em 1.793, ela foi totalmente destruída, sendo seus habitantes mortos ou foragidos.

Longos anos foram necessários à sua reedificação e seu desenvolvimento ocorreu, principalmente, após 1.864, com a chegada da ferrovia, incrementando consideravelmente a economia da cidade pelo tráfego comercial entre França e Espanha.

Em 1925 foi criada a "A Praia", uma nova estação do Caminho de Ferro, consolidando-se o turismo a partir da construção de um cassino e de vários hotéis.

Também o Castelo de Abbadia (1864) e o golfe do Domínio da Abbadia atraíram numerosos turistas.


Uma rua de Hendaya.

Infelizmente, o clima estava mudando e no retorno ao local de pernoite, enfrentei uma fina, gelada e persistente garoa.

Já estava no quarto, preparando-me para dormir, quando me lembrei de pedir proteção ao Santo Apóstolo.

Então, recorri às “Orações de Santiago” transcritas em meu caderninho de anotações e com muita fé e devoção, rezei:

“Apóstolo Santiago,

Escolhido entre os primeiros,

Tu foste o primeiro a beber

No cálice do Senhor,

E tu és o grande protetor dos peregrinos;

Faz-nos fortes na fé

E alegres na esperança,

Em nosso caminhar

De peregrino,

Seguindo o caminho

Da vida de Cristo,

E alenta-nos para que,

Finalmente,

Alcancemos a glória De Deus Pai,

Assim Seja!”


HISTÓRIA DO CAMINHO VASCO INTERIOR

Sinalização do Caminho Vasco Interior na Província de Guipúzcoa.

Em Irún (Guipúzcoa), os peregrinos medievais, provenientes da Europa, dispunham de duas opções: O Caminho do Norte, que segue pela Costa Cantábrica, ou o Caminho do Interior, que vence a Cordilheira Cantábrica pelo Túnel de San Adriàn (passagem natural, que separa as Províncias de Guipúzcoa e Àlava), que, desde os tempos romanos, foi um roteiro excepcional para unir o cantábrico-atlântico com o centro da Península Espanhola.

Muitos dos peregrinos que adentravam à Espanha pela Ponte de Santiago, em Hendaya, preferiam seguir em direção ao frequentado Caminho Francês, evitando, assim, o Caminho da Costa.

Aqueles que tomavam essa decisão, cruzavam a província de Guipúzcoa, em busca do túnel San Adrián, e por ele adentravam à Província de Àlava, depois, prosseguiam seu itinerário para unir-se ao fluxo de peregrinos em Santo Domingo de la Calzada ou Burgos.

Os primeiros caminhantes seguiam, inicialmente, beirando o curso do rio Oja, porém, outros se dirigiam através do conhecido desfiladeiro de Pancorbo, que dá passagem à rica zona “burebana”, cuja capital é Briviesca.

Nenhuma rota deixa o peregrino indiferente, porém, esta é particularmente atrativa por sua beleza paisagística, face ao singular Túnel de San Adrián, pelos seus desfiladeiros, montes, portos e pelo seu rosário de localidades, a iniciar pelos seus habitantes, que oferecem aos peregrinos o inimaginável e um pouco mais.

Trata-se de um trajeto de 8 ou 12 etapas até seu entrocamento com o Caminho Francês, e está muito bem sinalizado, graças a magnífico trabalho feito em sua recuperação pela Associação de Amigos desse roteiro, com sede em Miranda del Ebro.

1º dia – IRUN a HERNANI – 28 quilômetros