BREVE HISTÓRIA

BREVE HISTÓRIA


Marco "zero" do Caminho do Norte

O Caminho do Norte, anteriormente denominado de Rota Cantábrica, adentrava na Península Ibérica por Hendaya, onde aportavam os peregrinos vindos da Via Limosina, uma das quatro grandes Rotas à Compostela, que cortavam a França.

Ele é considerado o “caminho” mais antigo, dentre todos, posto que foi o primeiro a ser utilizado pelos peregrinos cujo objetivo era evitar o encontro com os mouros que, à época, dominavam a Península Ibérica.   

O certo é que a minguada romanização do País Basco, carente de vias de comunicação até o século XIII, as dificuldades geográficas do território e a falta de documentação sobre o itinerário percorrido pelos peregrinos que, como Godescalco de Puy, abriram a Rota Jacobea no séc. X, colocam em contradição a teoria do Caminho do Norte como a via original à cidade de Santiago.

Mas, sem dúvida, é clara a existência de uma primeira via de comunicação entre Oviedo e Santiago, aberta pelos próprios reis asturianos, desde o momento do descobrimento dos restos do Santo Apóstolo.

Esse roteiro oferecia graves dificuldades aos peregrinos, pois precisavam atravessar a desembocadura de grandes rios dentro de frágeis embarcações, o que causava muito estresse devido a formação de enormes ondas.

Sem contar que dependiam, também, dos barqueiros que os exploravam sem piedade.



Outra preocupação era o escasso povoamento da região, disposta em sítios isolados e com uma língua incompreensível, o “eureska”, acrescida da singular maneira de comunicação em gritos, como fazem os árabes no deserto.

Ilustres personagens de nossa história percorreram esse trajeto milenar, como, por exemplo, São Francisco de Assis, em 1.214, e o bispo de Armênia Mártir de Arzerbaiján, em 1.494.

Nesse contexto, merece menção especial o rei Alfonso II, “el Casto”, que foi o primeiro peregrino ilustre a utilizar-se desta Rota, que, além de ter confirmado o aparecimento dos restos de Santiago, ordenou a construção da primeira igreja sobre seu túmulo sagrado.

Os mais antigos diários sobre esse roteiro datam de 1.502 e 1.539, escritos, respectivamente, por Antonio Lolaing, o Senhor de Montiguy, e Bartolomeo Fontana.

O Caminho do Norte, indubitavelmente, é o mais interessante e perigoso dentre todas as rotas que convergem à Santiago de Compostela, dadas as suas características geográficas, posto que é riquíssimo em monumentos medievais e florestas magníficas, que encantam e deleitam, sobremaneira, o caminhante.

Pessoalmente, depois de percorrer o Caminho Francês, o Caminho Aragonês, a Via de la Plata e o Caminho do Norte, considero este último como a Rota mais autêntica e primitiva, visto que os demais roteiros, principalmente o “Francês”, se converteram em moda, e sua consequente saturação faz com que o peregrino desfrute de menos hospitalidade ao longo de sua jornada.

Assim, o “tramo” pelo Norte proporciona a “frescura” da novidade, bem como oferece paisagens exuberantes, quase sempre localizadas defronte ao mar Cantábrico, que extasiam e o tornam inesquecível ao peregrino que por ele segue ao encontro do Santo Apóstolo.


Um dos Guias que utilizei nesta aventura