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CAMINHO DA FÉ


2020 – CAMINHO DA FÉ – PARAISÓPOLIS/MG a APARECIDA/SP – 100 QUILÔMETROS

"Algo que aprendemos rapidamente no caminho é a inutilidade das previsões. Estamos carregados de expectativas, porém o dia a dia vai exigindo que mudemos nossos hábitos; nos ensina a viver o presente, sem mais pretensões que desfrutar o que temos. No cotidiano tentamos monitorar tudo, estamos continuamente querendo antever o que irá acontecer, planificar o futuro. Estabelecemos uma meta para nossas vidas e não podemos permitir que os acontecimentos nos prejudiquem. Porém, a lógica da previsão é inútil, nada se sucede como planejamos. Temos a sensação de sermos arrastados pela existência, em vez de poder controlar. Assim também ocorre no caminho, então, devemos estar providos de uma grande dose de flexibilidade, pois muitas coisas que se manifestam não dependem de fatores que estão em nossas mãos.


Reencontro com a amiga Jandira e a peregrina Shirley, na Pousada da Praça, em Paraisópolis/MG.

Para fechar o ano de 2020 com “Chave de Ouro”, retornei ao Caminho da Fé, novamente, ainda que para percorrer seu trecho derradeiro, a partir da simpática cidade de Paraisópolis/MG.

O clima se encontra extremamente calorento, porém, havia a expectativa de mudanças no clima, com previsão de muita chuva nos dias sequentes.

Assim, deixei a minha residência, embarquei num ônibus e ao chegar ao meu destino, me hospedei na espetacular Pousada da Praça, onde tive o prazer de rever minha amiga especial: a Jandira.

Ali também reencontrei a peregrina Shirley, que eu conhecera no Caminho de Frei Galvão, e que também iniciaria sua aventura de fé no dia sequente, então, conversamos bastante, cotejamos nossas experiências e ideais, depois, resolvemos prosseguir juntos até o final do Caminho.

Assim, no dia seguinte iniciamos nossa peregrinação em direção à Casa da Mãe Aparecida.

Na sequência, nos hospedamos em Luminosa/MG (Pousada Nossas Senhora das Candeias), Bairro Campista/Campos do Jordão/SP (Pousada de Dona Rose), Distrito de Pedrinhas/Guaratinguetá/SP (Pousada do Sr. Agenor) e, finalmente, aportamos ao Santuário Mariano de Aparecida, nossa meta.

No percurso, eu pude reabraçar amigos de longa data, bem como expandir amizades, interagindo com outros peregrinos que encontramos ao longo do itinerário.

Como de praxe, fomos muito bem recebidos em todos os locais onde pernoitamos, bem como desfrutamos de paisagens bucólicas, natureza exuberante, clima ameno e, enfim, sob as bênçãos da “MÃE MAIOR”, conseguimos encerrar nossa peregrinação sem maiores percalços ou intercorrências.

Algumas fotos de nossa alegre trajetória:


Pedindo a bênção da Mãe Aparecida, antes de iniciar o Caminho.


Momentos de confraternização com a natureza, na subida da Serra do Cantagalo.


Conhecendo novos peregrinos, na Pousada do Jucemar.


Peregrino Geraldo, outra das grandes amizades que fizemos no Caminho.


Em descenso pela serra. Luminosa aparece ao longe e abaixo...


Em ascenso pela Serra de Luminosa, logo após a Pousada de Dona Inês.


Em ascenso pela Serra do "Quebra Perna". Luminosa aparece ao longe e já vai ficando na saudade...


Frase motivadora, pregada no "belvedere", de onde se contempla Luminosa pela derradeira vez...


A paisagem que se descortinava lá de cima...


Momento de comunhão e agradecimentos...


Na divisa dos Estados, após superar a Serra de Luminosa...


Momento de confraternização com a natureza, no Horto Florestal de Campos do Jordão.


Transitando pelo bairro Gomeral, em altos papos com o peregrino Geraldo.


Massageando os pés no riacho do Sr. Agenor.


Derradeiro dia: o sol nascendo...!!


Enfim, chegamos!!!


Gratidão, MÃE APARECIDA, por todas as graças alcançadas!


Meu 15º Diploma do Caminho da Fé, que guardarei com muito orgulho e carinho!


EPÍLOGO

"O sucesso não é a chave para a felicidade. A felicidade é a chave para o sucesso. Se você ama o que você está fazendo, você sempre será bem sucedido." (Albert Schweitzer) 




O homem urbano de nossos dias perdeu uma importante quantificação da realidade, concernente à dimensão da emoção, aventura e fé que se vivencia numa peregrinação.

Porquanto, a vida citadina é uma brutal repetição de tarefas profissionais ou não, que entorpecem o indivíduo e o afastam de nossa maravilhosa natureza.

Sim, este é, talvez, o preço que pagamos pelo nosso verniz de civilização, posto que nunca fomos tão bem comportados, programados, uniformizados, massacrados e previsíveis.

Melhor, como fiz eu, fugir da mesmice de nosso cotidiano, muitas vezes entediante, e se lançar de forma determinada nos rumos incertos da mais imensa e fascinante possibilidade de ser feliz: a de caminhar em direção à Basílica da Mãe Maria.

Por isso mesmo, o aporte final à cidade de Aparecida é sempre um momento especial, em que todo o cansaço do percurso, a poeira da estrada, as vicissitudes enfrentadas e os pés doloridos, fenecem repentinamente.

Pois no Santuário de Nossa Senhora nós nos sentimos em casa, porque ali é um espaço de comunhão amorosa e próxima de Deus, lugar de contemplação, meditação, oração e louvor.

Em sua residência, o caminhante tem certeza de que receberá de nossa Mãe Maior o afago carinhoso que lhe proverá de forças para vencer as dificuldades e os sofrimentos.

Promessa cumprida, graças alcançadas, purificação, milagres, esperanças, inicia-se uma nova etapa na vida do caminhante: a volta ao lar. 


Mais uma vez, na Casa da Mãe Aparecida! Bênçãos Marianas a todos!

Em consonância, ao retornar à minha vida normal, senti uma sensação de dever cumprido, principalmente, de constatar que todo o esforço dispendido ao escalar serras intermináveis, suplantar as dores e viver aqueles dias despojadamente, somente com o necessário, valeu a pena.

Assim, incentivo a todos a percorrer o Caminho da Fé, pois dessa maneira poderão aquilatar e compreender, em sua plenitude, o desapego que se processa no íntimo de cada pessoa, ao se transformar num humilde peregrino.

Por derradeiro, necessário consignar um agradecimento especial à amiga Shirley, que dividiu a trilha comigo e, nesse sentido, gostaria de reprisar uma frase que espelha tudo o que penso e vivencio em termos de peregrinar:

O melhor que nos pode acontecer no trajeto é deixar uma boa memória. Nas pessoas que encontramos, nos pedacinhos da vida que compartilhamos com alguém, seja um dia, um mês ou anos.” 


Bom Caminho a todos! 

Dezembro/2020