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1º dia - TRECHO DO ZANZALÁ (14 km) + CARVOEIRO (10 km) – 24 quilômetros


1º dia: TRECHO DO ZANZALÁ (14 km) + CARVOEIRO (10 km) – 24 quilômetros



Eu embarquei num ônibus em minha cidade e três horas mais tarde eu aportei no Terminal Rodoviário da cidade de São Bernardo do Campo, onde me hospedei no Líder Hotel.


Na praça central de São Bernardo do Campo/SP.

No dia seguinte, eu tomei um táxi, que me levou ao ponto inicial do Caminho do Sal, localizado no km 38,1 da Rodovia Caminhos do Mar.

Nesse local, onde há uma placa indicativa mencionando o roteiro, eu apeei do veículo, fiz os acertos monetários com o motorista, depois, de mochila nas costas, animado, dei inicio à jornada daquele dia.

O clima se apresentava frio e nublado, e o caminho bastante molhado pelas chuvas recentes.

No primeiro trecho eu caminhei pelo interior do Parque Estadual da Serra do Mar, que possui enorme diversidade de fauna e flora sob Proteção Integral, além de variados monumentos de importância histórica que remontam à colonização do Brasil.

Uns 4 quilômetros adiante, por uma ponte, eu ultrapassei o Sangradouro do Perequê e Represa Billings, que começou a ser construída em 1925, e foi inundada em 1927, para gerar energia elétrica para as indústrias de Cubatão.

O seu sangradouro é composto por uma pequena barragem de controle, situada na Estrada Mogi das Cruzes, no Caminho do Sal, em São Bernardo do Campo.

Mais adiante, pude avistar algumas vezes, do meu lado direito, o Oleoduto da Serra, o primeiro do gênero no Brasil, instalado em 1948 pela Estrada de Ferro Santos-Jundiaí, atualmente administrado pela Petrobrás.

No primeiro trecho do trajeto existem alguns condomínios instalados e encontrei um razoável trânsito de veículos, em vista do horário matutino.

Porém, depois de percorrer 7 quilômetros, numa bifurcação, entrei à direita, então, tudo se tornou deserto e ermo, pois ali não há residências.

Infelizmente, por conta da forte chuva que assolara a região e em face da construção de um enorme gasoduto ao lado da estrada, encontrei o leito do caminho bastante convulsionado, com água e lama.

Contudo, depois de curtir intensamente o visual e sem maiores novidades, pois esse trecho é praticamente todo plano, 14 quilômetros superados, eu acessei à Rodovia Adib Chamas-SP 122, e prossegui pelo seu acostamento, num trajeto tranquilo, pois ela apresenta ínfimo tráfego de veículos.

Finalmente, 4 quilômetros à frente, eu adentrei à esquerda e segui mais 6 quilômetros pela Trilha Paranapiacaba Baixa, num percurso pleno de silêncio e muito ar puro.

Esse trecho, nominado de Rota dos Carvoeiros, é bem arborizado, com alguns ascensos e descensos, mas nada muito pronunciado.

Para ajudar, encontrei o leito da estrada bastante pilado, com poucas pedras e quase nada de lama.

No final, fui surpreendido pela cerração que tomou conta da paisagem, deixando tudo nebuloso e escuro.

E depois de pouco mais de 5 horas de caminhada, aportei em Paranapiacaba que, atualmente, é um distrito de Santo André.

Na charmosa vila fiquei hospedado na Pousada Maranata, que está localizada no enclave de colonização inglesa, cuja proprietária, a Dona Margareth, é extremamente simpática e zelosa para com os hóspedes.

Algumas fotos do percurso desse dia:


O Sangradouro da Represa e do rio Perequê.


Caminho muito bem sinalizado nesse primeiro tramo.


Grandes retões ermos e silenciosos.


Trecho com vegetação luxuriante.


Trecho levemente plano. Ao fundo, a serra do Mar.


A Serra do Mar se faz presente, do lado direito.


Trecho com muito barro, em face das chuvas recentes...


Novamente, muita lama. O jeito foi caminhar sobre a grama lateral...


Um leve declive, depois, outro ascenso, nada protuberante.


Trecho arejado e com muita mata nativa.


Caminho belíssimo e intensamente hidratado de ar puro.


Ultrapassando as vias férreas, já no trecho dos Carvoeiros.


Caminho belíssimo. O nevoeiro chegando...


Restam 3 quilômetros para o final da jornada.


Muito verde no entorno. Depois, chegou a neblina...


Caminhando na escuridão.....


Forte cerração na chegada a Paranapiacaba.

Paranapiacaba é uma antiga vila ferroviária de arquitetura inglesa, criada no final do século XIX, no topo da Serra do Mar, onde atrativos históricos, culturais e naturais estão por todos os lados.

Em princípio, tratava-se apenas de um canteiro de obras, necessário à implantação da ferrovia, onde viviam operários. 


Bar da Zilda, o "point" da pequena vila.

O sistema funicular, originalmente implantado na ferrovia, exigia constante manutenção e na década de 1970 foi trocado pelo cremalheira aderência, diminuindo a necessidade de mão de obra.

Nesse período, operários foram gradativamente deixando a vila. 


Uma placa explicativa e curiosa.

Paranapiacaba significa em tupi, lugar de onde se avista o mar.

E além da colonização inglesa, fortemente marcada pela arquitetura, também recebeu colonização portuguesa. 


O famoso "Pau da Missa"...

As construções de padrão mais comum ao olhar brasileiro ficam do outro lado da ferrovia e são uma atração à parte.

O caminho cruza a Vila Inglesa e de lá, por meio de uma passarela, é possível acessar o lado de colonização portuguesa. 


Muita chuva e cerração na passarela que transpõe os trilhos.

Paranapiacaba conta com uma série de atrações como museus, monumentos históricos, restaurantes, hotéis e paisagens incríveis, além de vários festivais ao longo do ano.


A igreja matriz do distrito.

População atual: Aproximadamente, 1 mil pessoas.

Altitude: 818 m.


A pequena vila, sob intenso "fog"...

Depois de uma reparadora soneca, pela ponte metálica, ultrapassei novamente as vias férreas, e fiz uma visita na vila de colonização portuguesa, onde se situa a igreja matriz do distrito, cujo padroeiro é o Bom Jesus.

Por azar, garoa fria e o nevoeiro que se abateram sobre a povoação, deixaram o entorno neblinoso, o que não extraiu o charme da vila; no entanto, entendo que com sol, tudo ficaria mais belo e aprazível ao meu olhar de turista debutante naquele local.

E como não podia deixar de ser, no final do giro, fiz uma pausa na Padaria dos Mendes, onde provei da pinga com cambuci, um dos grandes atrativos desse inesquecível distrito.

Ali passei momentos únicos, proseando com o proprietário desse estabelecimento comercial, o Sr. Valderez, uma pessoa alegre e que emana simpatia.


Na padaria do distrito, com o Sr. Valderez, uma simpatia de pessoa.

RESUMO DO DIA - Tempo gasto, computado desde o início do Caminho, no km 38,1 da rodovia Caminhos do Mar, em São Bernardo Campo/SP, até a Pousada Maranata, em Paranapiacaba/SP: 5 h 15 min.

Clima: nublado/chuvoso, variando a temperatura entre 13 e 20 graus.

Pernoite: Pousada Maranata – Apartamento individual, com café da manhã – Banheiro Compartilhado - Preço: R$70,00 – Razoável!

Almoço: Bar da Zilda: Excelente! – Preço: R$25,00, prato individual.


Para visualizar essa trilha, gravada no aplicativo Wikiloc, acesse: https://pt.wikiloc.com/trilhas-trekking/estrada-caminho-do-mar-a-paranapiacaba-25547345

AVALIAÇÃO PESSOAL: Uma etapa de média extensão e de rara beleza na maioria de seu trajeto que foi, infelizmente, empanada pelo excesso de lama que encontrei na trilha. Contudo, não há no trajeto qualquer empecilho altimétrico de importância, o que permite ao caminhante desenvolver uma velocidade média constante. Na verdade, o trecho do caminho, nominado de Zanzalá, é muito bonito e interessante do ponto de vista de variações de terreno, posto que são 14 quilômetros com leves aclives e declives, lama, passagens com bastante pedregulho e outras planas, de terra batida. E ao longo desse primeiro trecho, encontrei várias pontes sobre córregos de água cristalina que formam poços com profundidade suficiente para um bom mergulho no verão. Além de excelentes vistas dos morros da serra do Mar, que bordejam o caminhante pelo lado direito. Já o trecho dos Carvoeiros é integralmente plano e, como todo o Caminho muito bem sinalizado. No geral, percurso de baixa dificuldade e de expressiva beleza. Recomendo!