Home‎ > ‎

Giro pela Mantiqueira / MG


2021 – GIRO PELA SERRA DA MANTIQUEIRA / MG – 165 QUILÔMETROS EM 6 DIAS

Afortunados são aqueles que dão os primeiros passos.” (Paulo Coelho)



Objetivando expandir meu universo peregrino e conhecer localidades incrustadas numa região ainda por mim desconhecida, resolvi fazer um périplo pela decantada serra da Mantiqueira utilizando, sempre que possível, estradas rurais, sabendo de antemão que não encontraria caminhos sinalizados.

Assim, para iniciar minha odisseia, tomei um ônibus que, 6 horas mais tarde, me deixou em Itajubá, ponto inicial do roteiro que eu tracei e, quando lá cheguei, rapidamente, me registrei no Hotel Oriente, onde eu havia feito reserva.

Ali, além de abraçar o amigo Leandro Reis, gerente desse estabelecimento, fui apresentado ao Carlos Glauci, grande voluntário do Caminho de Aparecida, e reencontrei a peregrina Shirley, que eu conhecera no Caminho de Frei Galvão, e que dividiria a trilha comigo nessa oportunidade.

Mais tarde, saímos para almoçar, depois, além de dar um grande giro pela urbe, pudemos fotografar e visitar a igreja matriz da cidade, cuja padroeira é Nossa Senhora da Soledade.

E, no dia seguinte, demos início à nossa odisseia pelas serras de Minas Gerais.


No Hotel Oriente, em Itajubá/MG, com a Shirley, o Leandro e o "Kadu".


Santuário de Nossa Senhora da Agonia, em Itajubá/MG, o único existente além de Portugal, um local espetacular!


1º dia: ITAJUBÁ/MG a DELFIM MOREIRA/MG – 32 QUILÔMETROS

A grande caminhada da vida nos reserva muitas surpresas; umas boas, outras ruins, mas todas inesquecíveis!” (Mariana Gil)



 A jornada seria longa e face ao verão que vivenciávamos, o sol se tornava abrasador depois das 9 horas, deixando a caminhada desgastante e opressiva.

Assim, deixamos o local de pernoite, quando meu relógio marcava 5 h, e como o café da manhã somente seria servido após as 6 h 30 min, eu ingeri frutas e chocolates que havia adquirido no dia anterior, e parti alimentado e bem disposto.

Inicialmente, nós acessamos a Avenida Dr. Henriqueto Cardinali, que, embora trocasse de nome, seguiu sempre na direção sul, tendo o rio Sapucaí fluindo ao nosso lado direito.

Mais abaixo nós passamos diante de uma área onde está sediado o 4º Batalhão de Engenharia e Combate de Itajubá/MG, depois, transitamos diante da igreja de Nossa Senhora de Lourdes e, logo após, passamos diante da fábrica da Imbel – Indústria de Material Bélico do Brasil.

E após caminhar pelo bairro Santa Rosa, sempre sobre piso duro, finalmente, depois de 8 quilômetros vencidos, nós adentramos em terra, seguindo em direção ao bairro Santo Antônio.

O percurso prosseguiu em meio a residências e pequenas chácaras, ainda urbano, contudo, 12 quilômetros percorridos, numa bifurcação, quando o Caminho de Aparecida segue à direita, nós giramos à esquerda e prosseguimos paralelos à rodovia MG-350, que vai na direção de Delfim Moreira.

A partir desse local o trajeto se tornou agradável, arborizado e ainda plano, porém, mais 3 quilômetros percorridos, nós passamos pelo bairro Água Limpa e ali fizemos uma pausa num bar, para ingerir um copo de café que nos foi oferecido, graciosamente.

Nesse trajeto, observamos a sinalização do novel caminho “Passos de Padre Léo”, que será oportunamente inaugurado.

Reanimados, dobramos à direita, depois, prosseguimos adiante, agora já em perene e forte ascensão, que perdurou pelos próximos 4 quilômetros, até o bairro Barreirinho, onde fizemos outra pausa, para adquirir água e tomar café.

Reanimados, prosseguimos sempre em leve ascenso, agora, em meio à frondosa mata nativa e eucaliptais, a tônica nesse trecho final.

Percorridos 29 quilômetros, nós desaguamos na MG-350, depois, prosseguimos em aclive por mais 3 quilômetros, pelo acostamento da rodovia, até aportarmos ao centro da cidade de Delfim Moreira, local de pernoite nesse dia.

À noite, após passarmos a tarde conversando com a prestativa Margareth, a proprietária do Hotel São João, fizemos uma visita ao famoso bar do Boi, onde lanchamos e degustamos uma saborosa cerveja belga.

Algumas fotos desse percurso:


Nessa bifurcação, o Caminho de Aparecida segue à direita e Os Passos de Padre Léo segue em frente.


No poste, à esquerda, a sinalização dos "Passos de Padre Léo".


Após o bairro Barreirinho, muita sombra no trajeto.


Natureza exuberante, caminho integralmente orlado de árvores.


Igreja Matriz de Delfim Moreira/MG.

Como a maioria dos municípios da região, sua origem está ligada à chegada dos bandeirantes paulistas (em especial à bandeira de Borba Gato), que vinham à procura de ouro.

O nome Descoberto dado a princípio ao lugar, passando a ser Descoberto do Itagybá, atualmente Itajubá, que significa "braço de pedra", através da junção dos termos tupis itá ("pedra") e îybá ("braço").

Já em 1848, a freguesia foi elevada a vila e, em 1938, a município, sendo que nos idos de 1746, a região de Itajubá sofreu modificações em suas divisas e passou a pertencer a Minas Gerais.

No decorrer de sua história, o município de Itajubá sofreu divisões em seu território, sendo que a vila original se tornou a cidade de Delfim Moreira, enquanto Itajubá se desenvolveu em outro ponto do município, mais abaixo no vale.

Historicamente, a região de Delfim Moreira foi muito conhecida pela intensa produção agrícola, especialmente do marmelo, nos idos de 1940 a 1970 e, posteriormente, pela cultura da batata e pela produção de leite.

Ela está incrustada na região conhecida como Terras Altas da Mantiqueira, onde até mesmo no verão os termômetros não ultrapassam os 25 graus e à noite faz um delicioso friozinho.

Durante a estação quente, aliás, acontece a colheita de frutas como pêssego, pera e morango, além de marmelo, usado para fazer uma tradicional sopa perfeita para repor as energias.

Atualmente, a cidade conta com diversos criatórios de trutas e, pela privilegiada condição climática, de topografia e de cobertura vegetal, vem desenvolvendo o turismo rural e ecológico.

Destaca-se a partir de 2011 o surgimento da cultura cervejeira artesanal no município, advinda pela chegada da Microcervejaria Kraemerfass, que também atua no cultivo de olivas para a produção de azeites do estilo gourmet.

População: 8 mil pessoas – Altitude: 1.210 m


RESUMO DO DIA - Clima: fresco de manhã, depois ensolarado, com temperatura variando entre 17 e 27 graus.

Pernoite no Hotel e Restaurante São João – Apartamento individual simples, onde não há TV e nem ventilador! – Preço: R$80,00.

Almoço no próprio hotel: Espetacular! – Preço: R$15,00 o “Prato Feito”.


IMPRESSÃO PESSOAL – Uma jornada de grande extensão e muita beleza, porém, os primeiros 12 quilômetros são integralmente urbanizados. Contudo, quando se adentra às estradas de terra, tudo muda e o percurso se torna bucólico e aprazível. Até o 15º quilômetro caminha-se no plano, depois, inicia-se uma perene ascensão, que culmina com a chegada ao objetivo do dia. No geral, após o 12º quilômetro, uma etapa agradabilíssima, plena de verde e trechos ermos e silenciosos. No global, tirante a parte inicial, um trajeto de grande plasticidade e pleno de paisagens serranas.

 

2º dia: DELFIM MOREIRA/MG a MARMELÓPOLIS/MG – 22 QUILÔMETROS

A caminhada é dura e difícil, mas no final tudo vale a pena.



A jornada seria de pequena extensão, assim, partimos às 6 h, já com o dia claro, depois de ingerir substancial café da manhã.

O percurso inicial seguiu pelo acostamento da rodovia MG-350, contudo, 1.000 m adiante, nós entramos à direita e prosseguimos sobre terra, ladeados por imensas fazendas, onde a tônica era criação de gado leiteiro.

Também observei no trajeto plantações de milho, mandioca e marmelo.

Percorridos 7 quilômetros, praticamente, todo plano, transitamos pelo bairro do Rosário, onde há várias casas, uma igrejinha, mas não vislumbrei comércio.

Prosseguindo, o caminho foi se empinando e, concomitantemente, se tornando deserto e silencioso, um bálsamo para os olhos e a audição de qualquer peregrino.

Sempre em ascensão e transitando sob a fronde da mata nativa e eucaliptais, prosseguimos montanha acima e a cada curva que fazíamos, nossa visão se dilatava ante a extrema beleza circundante.

Percorridos 11 quilômetros, no alto da serra, passamos diante de uma capelinha, onde havia uma fonte de água cristalina ao lado, então, aproveitamos o local para descansar, fazer fotos e repor nosso estoque do precioso líquido.

Seguindo em frente, um quilômetro acima, chegamos ao topo do morro, localizado a 1.765 m de altitude, depois, prosseguimos em desabalado descenso, sempre ladeados por imensos eucaliptais, num trajeto extremamente ermo.

Já no plano, transitamos entre algumas fazendas de gado leiteiro, depois, no 18º quilômetro nós fletimos, bruscamente, à esquerda, e logo enfrentamos outro duro ascenso, porém, de parca extensão.

O trecho final, todo em ríspido descenso e sem grandes novidades, nos levou a aportar em Marmelópolis, nosso objetivo do dia.

Algumas fotos desse percurso:


Paisagens surreais...


No topo da serra, pausa para descanso e hidratação, na fresca mina d'água existente à direita da capelinha.


Descendendo em meio a um fresco eucaliptal.


Com a Shirley, na praça principal da cidade, diante de um pé de marmelo, fruto que deu nome a Marmelópolis/MG.


A igreja matriz de Marmelópolis/MG.

Marmelópolis está situada na Serra da Mantiqueira, próxima a grandes elevações como o Pico dos Marins (2.422 m), um dos pontos mais altos da serra, e o Pico do Marinzinho (2.393 m), situados na divisa com o estado de São Paulo.

Sua paisagem é marcada por exuberante e bem conservada natureza, cachoeiras, vales e picos, encantando os observadores que por lá passam, sendo que a região também é favorável para caminhadas ecológicas.

Marmelópolis teve a origem do seu nome devido à grande produção de marmelo na região.

O cultivo dessa fruta começou em 1914 com as primeiras mudas vindas da Pérsia e, com o solo e clima favorável, a planta se adaptou facilmente.

Em 1935 começou a ser instalada a primeira fábrica de massa de marmelo para a produção de doces e na década de 60, Marmelópolis era responsável por 30% da produção total em Minas Gerais o que levou à elevação do povoado a município.

Nos anos 80, a produção da fruta havia diminuído drasticamente, pela falta de apoio do governo e, consequentemente a não renovação dos marmeleiros. 

Desta época gloriosa, conserva-se a Festa do Marmelo que acontece, anualmente, no mês de setembro e neste evento, é possível desfrutar da gastronomia baseada na fruta, muita história e alegria.

População: 3.200 habitantes – Altitude: 1.277 metros

 

RESUMO DO DIA - Clima: fresco no início, depois ensolarado, com temperatura variando entre 17 e 25 graus.

Pernoite na Pousada das Flores – Apartamento individual excelente! – Preço: R$80,00

Almoço no Restaurante Di Minas: Excelente! – Preço: R$20,00, pode-se comer à vontade no Self-Service.


IMPRESSÃO PESSOALUma jornada de pequena extensão e extrema beleza, em minha opinião, a mais bela e erma de todo o nosso giro. A partir do 7º quilômetro, o trajeto se tornou extremamente arborizado e fresco, com lindas vistas do cenário circundante, podendo se avistar, ao longe, o famoso Pico dos Marins. No global, um caminho de grande plasticidade e pleno de paisagens espetaculares.

 

3º dia: MARMELÓPOLIS/MG a VIRGÍNIA/MG – 26 QUILÔMETROS

Caminhar previne depressão, faz bem para seu coração, seu corpo e sua alma.



O percurso seria de razoável extensão, assim, deixamos o local de pernoite às 5 h, após ingerir o café da manhã.

Depois de caminhar 500 m em zona urbana e já com o dia claro, fletimos à esquerda e acessamos uma larga e plana estrada de terra, que seguiu pelas faldas de uma montanha, tendo um rio largo e profundo correndo pelo nosso lado direito.

Esse trecho inicial mesclou descensos e ascensos médios, propiciando um lindo visual de montanha e dos vales circundantes.

No entorno, muitas plantações de pêssego, ameixa, figo, marmelo e milho, além de eucaliptais e criações de gado leiteiro.

Percorridos 9 quilômetros, nós fletimos, bruscamente, à direita, ultrapassamos o rio Lourenço Velho por uma ponte, adentramos ao município de Virgínia e passamos a transitar pelo interior do movimentado bairro Morangal.

Na sequência, em leve aclive, mil metros adiante, ultrapassamos o bairro Morangal de Cima, então, passamos a ascender sem tréguas, porém, em meio à frondosa mata nativa e eucaliptos que margeiam a estrada, que se encontrava fresca e hidratada, face às chuvas da noite anterior.

Percorridos 14 quilômetros, nós desaguamos na rodovia MG-350 que provinha de Marmelópolis, porém ela não é asfaltada em todo o seu trajeto.

Então, com sol forte e intenso tráfego de veículos, aspiramos muita poeira e o silêncio, bem como a ermosidade se findaram.

Ainda subindo, no 16º quilômetro nós atingimos o topo do morro, situado a 1.473 m de altitude, onde fizemos uma pausa para descanso e hidratação.

O restante do percurso foi sempre em descenso e no 21º quilômetro fizemos outra pausa para fotografar a Cachoeira do Caeté, de expressiva vazão e beleza.

A sequência foi penosa, pois o trânsito de veículos se intensificou e, novamente, aspiramos demasiada poeira, porém, quando a estrada planeou, nós adentramos em zona urbana e sem maiores dificuldades caminhamos até o local de pernoite desse dia.

Algumas fotos desse percurso:


No céu, a promessa de mais um dia maravilhoso.


No início do trajeto, estradas desertas e silenciosas..


V
Como de praxe, paisagens de encher os olhos...


No topo do morro, em meio a fresco bosque.


Em descenso, diante da Cachoeira do Caeté. 

Fundada em 1865, pelo Padre Custódio de Oliveira Montes Rasos, que seguia para a cidade de Cristina, quando ficou impressionado pelo panorama.

Convenceu os proprietários daquelas terras a doarem cinco alqueires de terra, para que erguesse uma capela, que seria dedicada a Nossa Senhora da Conceição.

O fundador escolheu para o lugar o nome de Virgínea, em homenagem à Virgem Santíssima e em alusão à mata virgem que cobria o local, sendo que da palavra Virgínea veio a corruptela Virgínia.

Portugueses foram os primeiros desbravadores da região, à procura de ouro e pedras preciosas, mas como esse objetivo foi frustrado dedicaram-se à agricultura.

Hoje, com mais de cem anos de existência, além da lavoura de subsistência, o município se sobressai no cultivo de frutas, sendo o primeiro produtor de marmelo, ameixa e pêssego, o segundo de figo e o terceiro de pera, do Estado de Minas Gerais.

Na agricultura destaca-se a produção de milho, feijão, batata inglesa e arroz e na pecuária, a produção de leite.

A partir do final do século XX, o município começou a investir no seu potencial turístico, com implantação de hotéis-fazenda e pousadas.

População: 8.900 habitantes – Altitude: 950 metros

 

RESUMO DO DIA - Clima: fresco, depois ensolarado, com temperatura variando entre 18 e 28 graus.

Pernoite na Pousada Bela Vista – Apartamento individual excelente! – Preço: R$60,00

Almoço no Bar e Restaurante Boa Sorte: Excelente! – Preço: R$15,00, pode-se comer à vontade no Self-Service.

 

IMPRESSÃO PESSOALUma jornada de média extensão e razoável beleza até o seu 14º quilômetro. Depois, nosso silêncio e introspecção desapareceram por conta do intenso tráfego de veículos que encontramos na estrada. Ainda, o sol grassou forte e o calor nos oprimiu no percurso final, porém a visão da Cachoeira do Caeté amenizou nossa decepção com a poeira que aspirávamos naquele trecho descendente. No global, uma etapa de superação, que apresenta paisagens surpreendentes em alguns intermeios específicos.

 

4º dia: VIRGÍNIA/MG a CRISTINA/MG – 35 QUILÔMETROS

Não me leve a mal, me leve para caminhar!



Seria um percurso longo e difícil, assim, partimos às 4 h 30 min, depois de saborear um supimpa copo de café, que a Shirley preparou na cozinha da pousada.

Após um breve percurso urbano, acessamos uma larga e ascendente estrada de terra, por onde seguimos animados, enquanto o dia clareava.

No primeiro tramo, de 17 quilômetros, que nos levou até a cidade de Dom Viçoso, uma simpática povoação edificada num grande vale e, atualmente, com 3 mil habitantes, precisamos superar 2 serras de razoável dificuldade, porém o percurso é de excelsa beleza e extremamente deserto.

No entorno, a nos ladear, imensas plantações de milho, goiaba e outras frutas, além de massiva criação de gado leiteiro.

Foi um percurso arejado em alguns locais, porém nele encontramos também bastante sombra, mormente quando superamos a segunda serra, onde atingimos a altitude de 1.110 m.

Em Dom Viçoso fizemos uma pausa numa padaria para tomar café, comprar pão de queijo e repor nosso estoque de água.

Prosseguindo, ultrapassamos o ribeirão do Rosário por uma ponte, depois seguimos por larga estrada de terra, integralmente plana, contudo, percorridos 20 quilômetros, fletimos bruscamente à esquerda e principiamos a subir a mítica serra de Dom Viçoso, mais popularmente conhecida como “Morro Acaba Nunca”.

Foram 6 quilômetros duríssimos montanha acima, e quanto mais ascendíamos, mais linda a vista da região se descortinava ante nossos estupefatos olhos.

No percurso ascendente, encontramos alguns ciclistas e dois cavaleiros descendo a ladeira, com quem conversamos brevemente.

Quase no topo da serra, situado a 1.500 m de altitude, fizemos uma parada providencial na chácara do Sr. Franklin, um simpático mineiro que nos abordou na estrada, quando nos ultrapassou dirigindo um veículo, e que nos recepcionou com café e água, além de disponibilizar o banheiro de sua bela residência.

Prosseguindo, depois de atingir o cume do morro, principiamos a descender desabaladamente, por locais arejados, onde a tônica eram as pastagens.

Os derradeiros 3 quilômetros foram vencidos ainda em declive, mas sob a fresca fronde de uma mata nativa.

Em Cristina, à noite, fomos recepcionados pelo Dr. Célio, um grande irmão peregrino, que é um farmacêutico muito conhecido na cidade e meu amigo desde o Caminho da Nhá Chica, quando pernoitei nessa localidade.

Algumas fotos desse percurso:


A peregrina Shirley, sempre alegre nas trilhas...


Visão da cidade de Dom Viçoso, desde o alto da serra.


No topo do "Morro Acaba Nunca", maravilhosa recepção do Sr. Franklin e família.


Em descenso pelo lado oposto do morro, sob farta vegetação.


A belíssima igreja matriz de Cristina/MG.


Confraternizando com o amigo Célio e a Shirley, em Cristina/MG.

O Sul de Minas Gerais foi efetivamente desbravado somente na segunda metade do século XVIII, quando começou a se esgotar o ouro de localidades como Sabará, Ouro Preto, Mariana, Congonhas e São João Del Rey, dentre outras.

Mineradores partiram daquela região, procurando o metal nos sertões sul mineiros, que serviam de caminho do interior para o litoral.

Outros os seguiram, atraídos pela possibilidade de se apossarem das vastidões de terras ainda desabitadas e pela fertilidade de seu solo.

Dessa maneira foi povoado o Sertão da Pedra Branca, localizado em uma das ramificações da Serra da Mantiqueira.

O local era habitado somente por um pequeno número de índios da tribo dos Puris.

Em torno do pico com o mesmo nome, a partir de 1797, surgiram 22 sesmarias.

Da sesmaria de "Comquibios" (variação do termo latino cum quibus) e de parte da sesmaria do Urutu, teve origem a cidade de Cristina.

Em 1817 já havia uma pequena povoação na sesmaria de "Comquibios", quando alguns moradores solicitaram à Diocese de Mariana licença para construírem uma capela, tendo como orago o Divino Espírito Santo.

Por volta de 1820, o pequeno templo já estava edificado.

O topônimo foi permutado pela designação Cristina, seguindo determinação da Lei nr. 485, de 19 de junho de 1850, que criou o município e elevou a povoação à categoria de vila, sendo instalados oficialmente em 20 de janeiro de 1852.

Com a alteração do nome, prestava-se uma homenagem a Imperatriz do Brasil, Tereza Cristina Maria de Bourbon, esposa de Dom Pedro II.

Entre os dias 1º e 2 de dezembro de 1868, a Princesa Isabel, seu marido, o Conde D'Eu, e comitiva, visitaram a Vila Cristina, hospedando-se na residência de Joaquim Delfino.

Em 15 de julho de 1872 Cristina foi elevada à categoria de cidade (Lei nr. 1.885), e, quatro anos mais tarde, tornou-se sede de Comarca, isto em 8 de julho de 1876 (Lei nr. 2.273).

Em meados do século XIX, o plantio e beneficiamento de fumo era o principal produto das maiores fazendas.

Hoje Cristina se dedica à produção de café, destacando-se a produção da fazenda do agricultor Sebastião Afonso da Silva, ganhador duas vezes seguidas do “Cup Of Excellence”, que consagra os melhores produtores de café do mundo.

O município integra o Circuito Turístico Caminhos do Sul de Minas e conta com várias cachoeiras, dentre elas a da Gruta que fica a poucos metros da praça central da cidade, além de belos casarões antigos dos séculos XIX e XX.

População: 10.500 habitantes – Altitude: 1.060 metros

Fonte: Wikipédia.

 

RESUMO DO DIA - Clima: fresco e depois ensolarado, com temperatura variando entre 17 e 27 graus.

Pernoite no Hotel Casarão – Apartamento individual espetacular! – Preço: R$130,00

Almoço no Restaurante, Pizzaria e Pousada Real - Ótimo! Preço: R$45,00 o kg, no sistema self-service.

 

IMPRESSÃO PESSOALUma jornada de grande extensão, muita beleza e plena de grandes desafios. O trajeto até Dom Viçoso nos premiou com paisagens exuberantes e muita plasticidade no entorno. No trecho sequente, contudo, precisamos escalar o íngreme “Morro Acaba Nunca”, de expressiva dificuldade técnica. Porém, no geral, uma etapa agradabilíssima, plena de verde e trechos ermos e silenciosos. No global, uma das mais bonitas etapas de nosso giro, contudo, certamente, a mais difícultosa dentre todas que superamos.

 

5º dia: CRISTINA/MG a MARIA DA FÉ/MG – 25 QUILÔMETROS

Uma simples caminhada todos os dias pode fazer maravilhas para a saúde do seu corpo e da sua mente!



A gerente do hotel, a nosso pedido, agendou o café da manhã para 5 h e, assim, quando partimos 30 min mais tarde, estávamos dispostos e bem alimentados.

Após um breve percurso urbano, nós ultrapassamos a rodovia MG-383, depois, já do outro lado, acessamos uma estrada de terra ascendente e bastante úmida, face às chuvas da noite anterior.

O percurso seguiu ermo e extremamente aclivoso, em meio a imensas fazendas onde, além de canaviais e milharais, a tônica era a criação de gado leiteiro.

Percorridos 6 quilômetros, sempre ladeados por extasiantes paisagens, atingimos o topo do morro do Alemão, situado a 1.340 m de altitude, depois, giramos à esquerda e passamos a descender, em bom trecho dele, sob a fronde de fresca mata nativa.

Já no plano, caminhamos um bom tempo ao lado de pastagens até que, no 12º quilômetro, fizemos uma pausa para hidratação.

Na sequência, fletimos radicalmente à esquerda e prosseguimos em contínuo ascenso pela estrada nominada 7 de Abril, ladeados por eucaliptais, que amenizavam a força do sol, já crestante naquele horário.

Foi um percurso silencioso e agradável até o 17º quilômetro, quando atingimos o cume da elevação, situado a 1.400 m e passamos a transitar pela borda da montanha, com amplas vistas de um estupendo cenário, localizado do lado direito da estrada, onde o verde se mostrava presente nas mais variadas tonalidades.

Nesse trecho intermediário, encontramos alguns ciclistas e cruzamos com alguns veículos, porém, no geral, transitamos por locais ermos, silenciosos e arborizados.

Mais 3 quilômetros de agradável caminhada e atingimos o ponto de maior altimetria dessa jornada, situado a 1.415 m de altitude, de onde detínhamos amplas vistas do longínquo horizonte.

O percurso final, sempre em descenso, nos levou ao objetivo do dia, onde chegamos a tempo de realizar compras num supermercado, pois estávamos num domingo, quando o comércio local fecha às 12 horas.

À tarde, pude visitar e fotografar a estupenda igreja matriz da cidade, cuja padroeira é Nossa Senhora de Lourdes.

Algumas fotos desse percurso:


Paisagens lindas, de ambos os lados do caminho.


Verde para todo o lado, mas mais variadas tonalidades..


Trecho plano e arborizado.. A Shirley segue à frente...


A belíssima igreja matriz de Maria da Fé/MG.


O interior da belíssima igreja matriz de Maria da Fé/MG.

Maria da Fé é destino turístico para usufruir o bom da vida, com uma simplicidade envolvente.

Localizada ao sul de Minas Gerais, na Serra da Mantiqueira, ela é popularmente conhecida por ser a cidade mais fria do estado, devido à sua altitude de 1.200 metros.

A Fazenda Epamig (Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais) cultiva a produção de oliveiras (uma das maiores do Brasil) e ervas medicinais, além de possuir um maravilhoso santuário de bromélias.

A Igreja Matriz Nossa Senhora de Lourdes possui pintura semelhante à da capela do seminário maior da cidade de Mariana.

O Centro Cultural, localizado na antiga estação, conserva registros fotográficos e documentais da história do município, além de uma locomotiva Raldwin 225 de 1918, que está desativada.

Maria da Fé ainda conta com um exuberante cenário natural, recheado de maravilhosas cachoeiras e propício a quem busca tranquilidade.
O Pico da Bandeira, mirante natural da cidade, proporciona uma contemplação única através de sua vista panorâmica.

O município ainda se orgulha de apresentar a Oficina Gente de Fibra, que é um projeto artesanal local que produz os famosos artigos à base da fibra da banana. 

População: 15 mil pessoas - Altitude: 1.258 m


RESUMO DO DIA - Clima: fresco no início, depois ensolarado, com temperatura variando entre 17 e 25 graus.

Pernoite no Hotel Colonial Gold – Apartamento individual excelente! – Preço: R$90,00

Almoço no Restaurante Fogão e Lenha Dois Irmãos: Excelente! – Preço: R$25,00, pode-se comer à vontade no Self-Service.

 

IMPRESSÃO PESSOALUma jornada de média extensão e muita plasticidade, onde se necessita sobrelevar 3 elevações, a primeira delas, de razoável dificuldade. Porém, o trajeto seguiu sempre em meio a locais de maviosas belezas, onde o silêncio e a ermosidade imperaram em quase todo o percurso. No geral, uma etapa agradabilíssima, plena de verde e imensas pastagens. No global, tirante a rudeza das serras a serem vencidas, um trajeto recheado de cenários deslumbrantes.

 

6º dia: MARIA DA FÉ/MG a ITAJUBÁ/MG - 25 QUILÔMETROS

Se a vida é uma longa caminhada, os amigos são as flores que embelezam as margens dessa estrada.



Seria nossa derradeira jornada e que, à primeira vista, se apresentava bastante tranquila, pois trilhada toda em descenso.

Assim, após ingerirmos um copo de café que o porteiro noturno, gentilmente, nos preparou, partimos às 5 h 30 min, debaixo de um clima fresco e ventoso, típico das cidades serranas.

Após abandonarmos a área urbana, acessamos uma estrada de terra descendente e sombreada, por onde, antigamente, passava a linha férrea que ligava Itajubá a Maria da Fé.

O percurso fresco e extremamente deserto e agradável, nos levou depois de caminharmos 8 quilômetros, até a estação ferroviária do Pedrão, hoje em ruínas.

Ali fletimos, radicalmente, à esquerda e passamos a descender com forte intensidade, até que a estrada se aplainou e prosseguimos adiante, por locais de expressiva beleza, situados entre grandes fazendas de criação de gado.

Tal encanto, infelizmente, se findou a partir do 13º quilômetro, quando passamos a transitar em meio a bairros periféricos, onde o piso se alternava entre bloquetes de cimento, depois, novamente terra.

Ocorre que o trânsito de veículos se mostrou expressivo naquele horário e, por conta disso, aspiramos bastante poeira, numa estrada que, embora suburbana, não contém acostamento ou calçadas.

Depois de transitar pelo grande bairro Capetinga, no 18º quilômetro, nós atingimos a zona citadina e passamos a caminhar sobre piso asfáltico, num percurso rude, tenso, barulhento e desgracioso, que nos levou até o Hotel Oriente, situado no centro de Itajubá, local de onde havíamos partido há 6 dias.

Eu pernoitei nesse local, no entanto, premida por compromissos profissionais e familiares, após o almoço, a Shirley embarcou num ônibus e retornou à sua residência.

No dia sequente, após me despedir dos amigos itajubenses, também regressei ao meu lar doce lar, com a promessa de em breve retornar a essa simpática localidade para trilhar os “Passos de Padre Léo”, assim que esse novel roteiro for inaugurado.

Algumas fotos desse percurso:


Momento de confraternização e agradecimento à natureza...


Etapa derradeira: somente agradecer pelas benesses auferidas nesse maravilhoso giro mineiro...


A antiga Estação Ferroviária do Pedrão.


Em descenso, belas vistas do entorno, antes de atingir a zona urbana...

RESUMO DO DIA - Clima: fresco no início, depois ensolarado, com temperatura variando entre 15 e 27 graus.

Pernoite no Hotel Oriente – Apartamento individual excelente! – Preço: R$70,00

Almoço no Restaurante Carvão e Lenha: Excelente! – Preço: R$20,00, pode-se comer à vontade no Self-Service.

 

IMPRESSÃO PESSOALUma jornada de média extensão e muita beleza até o 13º quilômetro, porém, os derradeiros 12 quilômetros foram tensos e percorridos sobre piso duro ou sob muita poeira. O trecho campestre se mostrou mavioso, contudo, o final da jornada, quando se adentra à periferia de Itajubá, é bastante sofrido e integralmente urbano. E, realmente, esse trajeto derradeiro acabou por empanar, de certa forma, o nosso breve giro, porém, os percalços também fazem parte da vida peregrina, onde nem tudo são flores.

 

FINAL 

Caminhar por lugares diferentes traz uma ótima sensação de liberdade, pois o contato com a natureza nos renova, além de proporcionar cenários únicos….


Com a Shirley, em Cristina/MG.

Uma das principais vantagens de ser um adepto do “trekking” é a possibilidade de poder praticar o exercício em qualquer lugar do mundo, posto que não há restrição de horário e nem custos financeiros para caminhar todos os dias.

E nada mais prazeroso do que poder viajar para visitar novos lugares a pé.

Nesse sentido, a serra da Mantiqueira é uma oportunidade maravilhosa para conhecer melhor o Estado de Minas Gerais e suas peculiaridades, bastando você traçar livremente seu roteiro.

Nele, é possível desfrutar da cultura local sem gastar muito, aproveitando a disposição para se deslocar em contato com uma natureza exuberante e encantadora.

Foi pensando nesses alvissareiros apanágios que por alguns dias eu busquei refúgio nas “Altas Terras” mineiras onde, como esperado, encontrei paz, silêncio, ar puro, paisagens bucólicas, natureza preservada, além de cidadezinhas pacatas e acolhedoras.

Infelizmente, foi um giro de pequena extensão, mas que pretendo repetir em breve, abarcando outras regiões serranas.

Assim, regresso ao meu lar grato pelos amigos que fiz e embevecido ante as benesses auferidas nesse inesquecível giro de contemplação, conhecimentos e aprendizados.

Por derradeiro, um agradecimento especial à amiga e peregrina Shirley, que nessa oportunidade “dividiu a trilha comigo” e, com seu indelével bom humor e insuperável vigor físico, muito contribuiu para o sucesso de nossa empreitada. 

Bom Caminho a todos!

 Janeiro/2021